Sessão Especial discute situação da Embrapa em meio à crise de investimentos

O debate foi levado à Alepa pelo deputado Dirceu Ten Caten diante da reivindicação dos trabalhadores.

A principal empresa de pesquisa agropecuária do país, a Embrapa, foi tema de uma Sessão Especial realizada na Alepa a pedido do deputado estadual Dirceu Ten Caten, que atendeu à solicitação de trabalhadores que compartilham a preocupação sobre o futuro da empresa.

Alvo de corte no orçamento no valor de R$119 milhões em 2020, como foi divulgado, a instituição tem discutido como manter-se realizando suas atividades de pesquisa como vem desempenhando há quase 50 anos.

Reunidos na quarta-feira (11), os presentes expuseram uma avaliação sobre o papel estratégico que tem hoje a Embrapa para o país e fora dele, uma vez que a empresa foi a responsável por revolucionar o mercado agropecuário e a produção de alimentos no Brasil.

O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Marcus Vinícius Sidoruk Vidal, avalia que há um desmonte em curso com as diminuições acentuadas do orçamento que estaria ocorrendo desde 2016, e que a empresa estaria passando por um sucateamento em favor de grupos privados.

Ele critica o que chama de “soluções mirabolantes” para driblar a falta de recursos. “O caminho escolhido por gestores nacionais foi a priorização de pesquisas encomendadas, ou seja, optou-se por transformar a Embrapa em um grande balcão de negócios”, disse Vidal.

Foto: Daniel Gonçalves

Também presente à reunião, o chefe geral da Embrapa Amazônia Oriental há nove meses, Walkymário de Paulo Lemos, por outro lado, salientou que o desejo é por uma Embrapa pública, que é natural a rejeição à mudança de cultura organizacional dentro de empresa e que o modelo atual de gestão precisa de ajustes.

Lemos frisou que a empresa é ainda muito dependente de recursos do tesouro nacional, lamenta que o orçamento seja insuficiente e que cerca de 25% dos recursos recebidos pela Embrapa são provenientes da iniciativa privada por meio de parcerias público-privadas.

No entanto, o gestor da Embrapa na Amazônia salientou que a maior parte da interação com tecnologia aberta é desenvolvida para o melhoramento da agricultura familiar e que a empresa precisa mudar o seu modelo de gestão para manter-se viável.

“Será que esse modelo que nós temos hoje nos dá conforto para a gente assegurar que a Embrapa terá mais 49 anos pela frente? Nós acreditamos que esse modelo atual precisa de ajustes sob forte risco de sucumbir. Nós precisamos nos reinventar para que a gente não corra riscos.” Pontuou Lemos.

O deputado Dirceu lembrou da importância da Embrapa na Amazônia, especialmente no Pará, onde há o maior número de assentamentos de reforma agrária do Brasil, com mais de mil projetos.

Dirceu defendeu que as instituições têm cumprido um papel estratégico para a agricultura familiar, para o comércio local e que a Embrapa tem um legado muito positivo para pesquisas e avanços.

Para Dirceu, ver uma empresa como a Embrapa, que é pública, em situação delicada em razão de cortes orçamentários, inevitavelmente sugere uma reação dos atores políticos.

“Nós da classe política temos que nos unir, inclusive, de forma suprapartidária para defender essa empresa que é um patrimônio do Brasil e do povo brasileiro. Então o que nós queremos é isso, é envolver o parlamento estadual nessa causa, um parlamento que tem uma grande conexão com o Congresso Nacional.” Disse o parlamentar.

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